Na vida, a mudança é inevitável.

Na vida, a mudança é inevitável.
Tendemos a desejar que certos momentos, situações e contextos perdurem indefinidamente em nossas vidas. Contudo, ao refletirmos com mais profundidade, fica evidente que o que somos hoje também é fruto de mudanças ocorridas nos dias que já se passaram. É compreensível não querer perder aqueles que amamos, perpetuar-se num determinado local que nos acomodamos ou até mesmo desejar profundamente – em vão – que o tempo desacelere quando o despertador nos lembra de que já está na hora de sairmos da cama.
Parece,
então, que se trata de duas faces da moeda: o equilíbrio dinâmico entre a inércia (manutenção
do contexto atual) e a força que nos retira dela.
Uma
planta, por exemplo, nasce de partes que se desassociaram de outros vegetais e
isto permitiu a ela “ser e ter”: ser um indivíduo independente de seus
progenitores e “ter” história, sua própria história no universo. Sim, tal
planta irá se sobressair acima do solo, crescer, interagir com outras vidas tão
diversas (quem sabe até vidas humanas), gerar descendentes e, então, cumprir
sua missão como “Ser” que pôde “ter” história.
Um animal assim como uma rocha, vírus, molécula ou partícula também segue similar percurso pela existência, constituindo-se da matéria que previamente constituía outros sistemas ou seres. Nem a luz escapa da mutação existencial, ora comportando-se como onda, ora como partícula.
Assim, quem pode definir a si mesmo como imutável perante a mutabilidade que define o universo (ou até mesmo, o hipotético multiverso)? Por que temos tanto medo da morte se de uma “outra morte” ou desconstituição prévia pudemos nascer? Teríamos nós, humanos, valorizado a vida como uma fotografia que congela o movimento contínuo?
Quando se enxerga a si mesmo como parte de algo maior e eterno – refiro-me ao espaço-tempo, à existência, a fluxo contínuo do “ser, ter, perder e, finalmente, deixar de ser aquilo que se é”, então a paz invade nosso interior com a sensação de alívio, de remoção da causa principal – e maior – dos nossos tormentos: em outras palavras, alívio do medo da morte. Afinal, que outra raiz pode existir para os nossos medos todos senão a morte e a eventual dor que a antecede?
Mas o medo da morte, ou dizendo de uma forma menos
seca e dura, o medo da transformação do que se é para o que será, não se perde
repentinamente. Antes, há de vir os “insights” que permitem a percepção de si
mesmo como entidade, instituto, ser, parte, componente (enfim, qualquer que seja
o substantivo que o defina) que dá existência a um organismo ou a algo maior. E
nesta contínua escala de complexidade da vida, do universo, da existência do espaço-tempo...somos
eternos.
De qualquer forma, meu caro leitor, iremos partir.
E, como toda partida, há tristeza inerente e há
a ansiedade do que há de vir; há a separação do que ficaram e aproximação dos
que partiram. Nem que esta aproximação seja apenas na nossa lógica humana da
saudade: não se pode tocar a mesma margem, o mesmo rio ou a mesma substância mortal
duas vezes (ou será que a “Essencia” não se transforma?).
Sinta-se feliz por saber que é eterno.
E, caro leitor, cedo ou tarde, iremos partir.

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